domingo, 7 de maio de 2023

Uma corrida que começou no sábado... e se resolveu no domingo

Uma corrida que começou no sábado! Na qualificação, Charles Leclerc buscava uma evolução de seu sétimo lugar provisório, e sua batida decretou o fim do Q3, dando apenas uma oportunidade de volta rápida ao top 10. Verstappen, por ter errado em sua primeira tentativa, largou de nono, e acredito que essa vai acabar sendo a principal memória que levaremos dessa corrida.

O GP de Miami trouxe consigo caractrísticas interessantes de um circuito de rua, misturado com um asfalto menos abrasivo e aderente aos pneus. Diante disso, 7 equipes optaram por largar com pneus médios com seus pilotos melhores colocados no grid e pneus duros para os segundos colocados de cada equipe. Apenas Williams e Ferrari largaram ambos seus carros com os pneus médios.

A ideia era de que os melhores colocados usassem dos pneus mais rápidos para conseguirem disputar suas posições na pista, trocar para os pneus duros e completar a corrida de maneira mais conservadora.

Já quem vinha mais de trás, a segunda ideia de estratégia era de manter uma consistência e um posicionamento competitivo, mesmo frente aos pilotos que estavam com pneus médios. Após as primeiras 20 voltas (momento em que os demais pilotos da estratégia reversa fossem parando para a sua troca de pneus), procurava-se poupar esses compostos para conseguir levá-los até em torno da volta 40. Em seguida, ao trocar para os pneus médios (mais adrentes e "mais rápidos"), aí era possível que os pilotos nessa segunda estratégia pudessem ser um pouco mais agressivos e recuperar um pouco mais de posições, já que quem vinha nessa segunda estratégia foram os que haviam largado mais de trás.

Destaco a importância dessas duas estratégias bem elaboradas e definidas no início da corrida, pois é um elemento que tem se perdido em algumas provas da Fórmula 1 mais recente (frente aos anos em que haviam múltiplas trocas previstas para todos os pilotos e até mesmo a época do reabastecimento no pit-stop). Essa dupla possibilidade de estratégia também começou no sábado, em que uma chuva "lavou" a pista de Miami, tornando o asfalto mais liso, menos abrasivo e desgastante para os pneus.

Essa queda de abrasividade do asfalto diminui o desgaste dos pneus pela simples rolagem sobre sua superfície. Porém, diante disso, a pilotagem, o controle de temperatura dos pneus e a adaptação de cada tipo de composto nessas condições variam também, e a nova forma de cada piloto guiar o carro nesse asfalto bastante imperdoável e mais escorregadio pode acarretar um maior desgaste de pneus.

Dessa forma, não ficou muito evidente para as equipes qual característica do asfalto em relação aos pneus iria se sobressair, e não ficou muito claro como seria o desgaste. Assim surgiram as duas estratégias: a primeira optava pelo stint de pneus duros (cerca de 40 voltas) a ser feita na parte final da corrida, com um carro mais leve e que exigisse menos dos pneus. A segunda, ao contrário, exigia bastante dos pneus no início, executando o mesmo stint quando o carro estava pesado e com tanque cheio. Logo, quem vinha mais de trás optou por ser um pouco mais agressivo e tentar descontar o terreno perdido na qualificação de sábado, optou pela segunda estratégia. Quem largou mais à frente, em geral foi mais conservador e largou de pneus médios.

Esse detalhamento das estratégias nos ajuda a entender o destaque positivo para a recuperação de Hamilton de 13º para sexto, e para a brilhante ascensão de Verstappen para a vitória, após uma escalada nas primeiras 20 voltas (mesmo com pneus duros no início) e posterior gerenciamento do desgaste para não permitir a aproximação de Pérez (que havia já trocado seus pneus - na chamada primeira estratégia) mesmo com pneus mais gastos. Assim, Verstappen fez seu pit-stop e voltou com pneus em condições muito mais favoráveis de ultrapassar o mexicano e em apenas duas voltas retomar a liderança.

Essa estratégia de Hamilton e Verstappen se sobressaiu na maioria dos casos (Tsunoda e Stroll também recuperaram posições mas ficaram ainda a poucas posições dos pontos, em 11º e 12º, respectivamente). Porém, Alonso, Russell e Sainz, na mesma estratégia de pneus que Pérez, foram consistente o suficiente para se manterem no pelotão da frente e protagonizaram a disputa pelo lugar final no pódio, e terminaram nessa ordem.

Gasly e Magnussen se aproveitaram do excelente posicionamento que tiveram na classificação no sábado, e também foram destaques na corrida. Os dois pilotos disputaram com Leclerc durante boa parte da corrida, e, assim como o monegasco, ambos na estratégia mais conservadora (quem estava na estratégia reversa foi Hamilton, e se aproveitou disso para passar os três na parte final da corrida). Chamou a atenção o ritmo próximo dos três carros, por isso o destaque positivo para ambos - e também negativo para Leclerc, que se viu disputando com a Alpine e com a Haas após seu erro na volta de classificação. Dessa forma, Leclerc ficou em 7º, não ameaçou Sainz e o espanhol foi confortavelmente o cavalino rampante mais bem colocado na corrida.

O destaque negativo ficou por conta da McLaren, que foi a única equipe a não colocar nenhum carro no Q2, e, por isso, tentaram uma estratégia diferente de todos, ao largar de pneus macios e fazer o pit-stop antes da volta 10, tentando aproveitar dos compostos mais aderentes para minimizar os efeitos do asfalto mais escorregadio e assim ganhar posições no início da corrida. Porém, a estratégia não funcionou muito bem, os carros laranjas não demonstraram bom ritmo ao longo de todo o final de semana e se mostra um protótipo que é adaptado apenas para alguns tipos de pista, porém, em outros, não tem sido muito difícil encontrar Norris e Piastri em 17º e 19º, respectivamente, tal qual na corrida de hoje.

Além disso, Sargeant, Hulkenberg, de Vries e Zhou foram pilotos que terminaram bem atrás de seus companheiros. Pela mesma justificativa, foram muito positivos os ritmos apresentados por Magnussen, Bottas, Tsunoda e Albon, que demonstraram levar seus carros bem ao limite. Stroll foi outro que terminou bem atrás de Alonso, mas nesse caso o principal fator não foi o ritmo de corrida, mas sim o de classificação. O canadense não passou para o Q2 no sábado, mas chegou perto dos pontos na corrida.

Finalmente, impressionaram também Alpine, Russell e Alonso. A Alpine se consolidou como a quinta força dessa corrida e ofereceu bastante resistência à Mercedes e Ferrari, o que garantiu pontos para ambos os carros com Gasly em 8º seguido pelo seu companheiro, Ocon, em 9º. Russell, por sua vez, se mantém numa temporada consistente em meio às incertezas de projetos do protótipo da Mercedes, e, enquanto o ritmo outrora vencedor ainda não é mais o mesmo, Russell fez uma corrida sólida e se manteve à frente da Ferrari de Sainz, mantendo a frente da Mercedes no campeonato de contrutores sobre a equipe italiana. E Alonso, em outra brilhante performance, conquista seu quarto pódio em cinco corrida e é indiscutivelmente o terceiro colocado no campeonato de pilotos hoje.

Já o líder mostrou hoje mais uma vez a razão de sê-lo, ao superar adversidades do sábado e seu companheiro no domingo, após brilhante estratégia e execução na pista, e garantindo a camisa comemorativa de número 1 do Miami Dolphins (time que se tornou parte do evento com as camisas de número 1, 2 e 3 para os três pilotos do pódio e transformou seu estádio no Paddock do GP), representativa de sua trigésima oitava vitória. Além, claro, de 14 pontos de liderança no campeonato. Resolveu a corrida no domingo.

Valeu Miami!

Guiherme Jamil

domingo, 9 de outubro de 2022

8 anos depois e pouca coisa mudou

Faz 8 anos e 4 dias que a Fórmula 1 vivia o seu tempo mais sombrio desde a morte de Ayrton Senna. Um acidente que abalou o mundo do automobilismo, assustou a todos que assistiam a corrida ao vivo, agonizou por mais de 9 meses aqueles que torciam por uma recuperação, até que nos separou do talento, do futuro, do carisma... de Jules Bianchi.

Um piloto formado pela academia da Ferrari, nascido na França e que até hoje inspira muitos compatriotas. Um menino que já nasceu com o sangue de corredor, sobrinho de Lucien Bianchi, outro piloto que perdeu a vida nas pistas. Um jovem que trilhou seu próprio sucesso e despertou a atenção da Ferrari, quando em 2009 foi chamado para uma sessão de testes - que visava determinar um substituto para o lesionado Felipe Massa, afastado para o fim daquela temporada após seu acidente na Hungria. Mesmo não sendo chamado para substituir o brasileiro, a sessão de testes foi bem sucedida o suficiente para o piloto de ainda 20 anos se tornar o primeiro membro da academia de pilotos da Ferrari, que hoje inspira e forma talentos para a categoria, encurtando a distância entre sonho e realidade para jovens talentos. E ao longo dos 5 anos em que fez parte do programa de desenvolvimento de pilotos, o francês concluiu com êxito a sua formação. Um talento que rendeu à equipe Marussia seus primeiros e únicos pontos na Fórmula 1, no GP de Mônaco de 2014. Um futuro da mais tradicional equipe que a categoria já viu, e uma esperança de toda a nação dos Tifosi. Uma expectativa para todo o automobilismo e uma alegria para todos aqueles que o viram correr. Esse era Jules Bianchi.

Você ainda não se foi, não enquanto sua memória ainda viver. Sua família se lembra de você, Jules. Os fãs se lembram de você. Eu me lembro de você, com carinho. O mundo se lembra de você. E nós sentimos saudades. Pena que não posso afirmar isso da direção de provas da Fórmula 1. Mesmo após múltiplos diretores assumirem esse posto. Digo isso amparado pelo fato de que o parágrafo anterior não fez menção ao capítulo final da trajetória de Jules - que deve sempre ser lembrado, não para definir quem foi Jules Bianchi, mas sim para definir o futuro da segurança da Fórmula 1 -, que não se repetiu no GP do Japão de 8 anos depois mais por sorte do que por juízo. Porque, apesar de decorrido todo esse tempo, o mesmo cenário estava pronto. Ainda bem que a tragédia não se repetiu.

E que cenário era esse? Um GP em Suzuka, um circuito muito desafiador, muito respeitado pelos pilotos que gostam de se sentir desafiados. Um traçado que não é nem horário, nem anti-horário, mas único e em forma de 8, recheado de diferenças de elevação, curvas com as mais variadas características (desde a primeira curva de entrada forte e dupla tangência, passando pelos Esses e a subida da curva Dunlop em alta velocidade, contando ainda com um hairpin e a curva Spoon, a velocísssima 130R e a chincane), que exigem dos mais diversos atributos do carro e da pilotagem e, por fim, uma pista bem estreita, que não perdoa muitos erros. Fica no Japão, um país em que chuvas fortes não são incomuns, e que já se mostraram presentes em diversas edições desse GP. Contudo, tanto em 2014 como em 2022, não se pode falar que as chuvas não eram previstas. Apesar disso, foram duas corridas que começaram no horário inicialmente programado, inalterado apesar dos alertas de forte chuva. E, finalmente, nesse cenário corriam carros de pelo menos 691 kg (2014) ou 795 kg (2022), acrescidos de 110 kg de combustível e um downforce muito superior inclusive ao prórpio peso do carro.

Uma visão gráfica desse cenário: uma visibilidade baixíssima devido a combinação de peso, downforce e velocidade de um carro de Fórmula 1, como pode ser visto nas imagens transmitidas pelas câmeras onboard de todos os carros, disponíveis pela plataforma de transmissão por assinatura F1TV:

Fonte: speedcafe.com


Chamo a atenção para o fato de que as imagens não foram amplamente divulgadas pela transmissão oficial do GP, restando aos fãs e telespectadores apenas a alternativa de descobrir mais sobre o incidente a partir das imagens do F1TV.

É compreensível que cenas mais gráficas e emergenciais não são as que mais compõem a propaganda da Fórmula 1. Não é isso que a categoria vende e não é sobre isso que se trata automobilismo. Aqui cabe um parênteses da reclamação que muitos pilotos e chefes de equipe fizeram a respeito da alta frequência de replays mostrados ao vivo do acidente de Romain Grosjean do Bahrain em 2020 - o francês bateu em um guard-rail e sua Haas partiu em dois. Dentre eles Daniel Ricciardo chegou a mencionar que era desagradável rever um acidente tão impactante múltiplas vezes, em que o replay era vendido como entretenimento. Se tratava de um momento em que da corrida em que era efetuado o resgate de Grosjean e os preparativos eram feitos para viabilizar o retorno da corrida, logo os pilotos de fato não queriam ser expostos a uma cena capaz de abalá-los psicologicamente para a corrida. O ponto de Ricciardo é bem válido e realmente uma exposição excessiva de cenas impactantes de acidentes pode trazer repercurssões adversas para a categoria. Talvez por isso a transmissão oficial da Fórmula 1 optou por não dispor as imagens que estavam disponíveis apenas no F1TV.

Fechando esse parênteses e voltando para a imagem, nota-se que um piloto francês, Pierre Gasly, sob condições de baixíssima visibilidade se aproxima de um trator. O canal Boteco F1 (link: https://www.instagram.com/tv/Cjf792krBSF/?utm_source=ig_web_copy_linkcomplementa o ocorrido com o vídeo da mesma plataforma F1TV, em que é possível concluir que Gasly se aproximava em alta velocidade da curva em que Carlos Sainz havia batido na primeira volta da corrida. Pelo fato do carro do espanhol da Ferrari ainda estar na pista, foi acionada a bandeira amarela, em que Gasly, ao seguir na corrida, deveria, por regra, se manter dentro de um limite de velocidade estipulado. É importante ressaltar que a condição de pista era de bandeira amarela, reportando acidente à frente, e a bandeira vermelha, indicando a interrupção da corrida, seria acionada apenas alguns segundos depois de Pierre passar pelo carro batido de Sainz. Contudo, já era possível ver tratores na pista fazendo o resgate da Ferrari batida, enquanto a Alpha Tauri de Gasly passava em alta velocidade.

Surgem dois questionamentos sobre a situação descrita: o porquê de Gasly estar em velocidade elevada e o porquê de haver tratores na pista nessa situação e momento. O primeiro fato pode ser explicado pelo fato de que quando se estipula um limite de segurança para a velocidade, em qualquer situação, há de se convir que os pilotos buscarão exatamente esse limite, não como afronta às regras ou imprudência, mas pelo fato de se tratar da própria profissão do piloto, que busca ser o mais rápido possível em qualquer ponto da corrida. A segurança deve partir do próprio limite de velocidade. Portanto é válido questionar apenas se Gasly estava dentro do limite de velocidade para bandeira amarela, e não se ele "estava rápido" sob ponto de vista subjetivo. Destaque ainda para o fato de que a condição limite para tal análise deve ser de fato bandeira amarela, pois o vídeo mostra o acionamento da bandeira vermelha em um instante posterior ao incidente.

O segundo ponto é o cerne de toda a discussão até aqui desenvolvida: no GP do Japão de 2014, Adrian Sutil rodou na saída da curva Dunlop após aquaplanar em um ponto muito específico do traçado (a diferença de elevação da curva fez com que a água na pista não ficasse parada, fazendo com que os carros se aproximassem da saída da curva em alta velocidade, com baixa visibilidade, com a pista muito escorregadia e água em movimento, o que fez daquele ponto da pista um lugar de maior probabilidade de reincidência de acidentes). Como a área de escape era de fato ampla, não se acreditava que seria um problema recolher o carro de Sutil com tratores, enquanto a corrida prosseguia, para piorar, em bandeira verde. Bianchi então rodou no mesmo ponto da pista na volta seguinte, batendo sua cabeça diretamente no trator que recolhia o carro de Sutil, ferindo-se fatalmente. 8 anos depois, eis que lidamos com outro francês, na mesma pista, com a mesma situação. Acredito que independetemente da velocidade que Gasly desenvolvia devia ser consenso que aqueles tratores não deviam estar ali. Até quando a Fórmula 1 vai permitir esse grau de reincidência de erros?

Já não bastou uma lição em 2014? Como agravante, nem a própria situação de Bianchi, na época, foi sem precedentes: em 2007, uma forte chuva em Nürburgring fez com que os carros aquaplanassem na primeira curva (que também apresenta diferença de elevação), e vários carros rodaram, inclusive Vitantonio Liuzzi que quase atingiu o safety car (cujo piloto, demonstrando ótimo reflexo, teve que dar uma forte arrancada para evitar um acidente com a Toro Rosso que rodava em sua direção) e ainda chegou a encostar de leve no trator que recolhia a McLaren de Lewis Hamilton. Somado a esse incidente, o GP Brasil de 2003 também foi debaixo de chuva, e múltiplos carros rodaram entre saída do "S do Senna" e entrada da "Curva do Sol" (outro trecho com diferença de elevação). Schumacher rodou e naquele instante era possível ver fiscais de pista, que recolhiam outros carros já acidentados, evadindo a pista e pulando a barreira de proteção para se proteger da Ferrari que rodava na direção deles e não muito longe de outro trator que era operado pelos fiscais.

Aqui eu aproveito para retomar o válido ponto de Ricciardo sobre a excessividade de replays de um incidente: acredito que um meio termo deva ser encontrado para um equilíbrio entre transparência e exposição, pelo fato de que é realmente importante não se utilizar os incidentes como divulgação para o entretenimento, ao passo em que também é relevante que fãs, jornalistas, pilotos, equipes e dirigentes estejam cientes dos incidentes, suas causas e especificidades para que soluções sejam tomadas em conjunto para evitar que se repitam os mesmos erros. Justamente por isso, não me surpreende que um acidente tão pouco divulgado como o de Jules Bianchi seja o foco de uma análise de reincidência: se trata de um acidente cujas imagens divulgadas para a opinião pública são apenas gravações não oficiais de torcedores nas arquibancadas que o filmaram, e em que as ações por parte de fiscais de pista e dirigentes de prova foram julgadas pela própria FIA (que determinou que a causa do acidente foi imprudência do piloto francês, pouco mencionando a presença dos tratores na pista), e não por uma perícia externa. A sensação que fica é de fato a falta de transparência.

Complementando o incidente, a repórter Mariana Becker perguntou Mario Isola, da Pirelli, sobre o desenvolvimento dos pneus e o porquê de tal desempenho dos compostos de chuva pesada da fabricante italiana, gerando muito "spray" e uma condição adversa de visibilidade para os pilotos (o que contribuiu em grande parte para o incidente de Gasly). A resposta de Isola surpreende por mostrar uma aparente descoordenação de projetos para os compostos: detalhou-se que a FIA é responsável pelo projeto do conceito dos carros de Fórmula 1, a partir do regulamento vigente, e então a Pirelli deve se adequar aos parâmetros já determinados para projetar seus pneus, o que pode comprometer a dispersão da água da chuva (um exemplo disso é a interferência do pacote aerodinâmico no modelo final do protótipo, que, em condições de pista molhada pode interferir nos níveis de "spray"). Somado a isso, foi mencionado o desinteresse das equipes em desenvolver os compostos pra chuva, uma vez que estão mais interessadas em extrair o máximo de performance dos pneus slicks para pista seca, condição em que mais são realizadas as corridas, estatisticamente. Dessa forma a própria Pirelli se vê limitada em suas ações e o desenvolvimento dos pneus em integração com o protótipo final não confere bons níveis de segurança de visibilidade em condições de pista molhada.

De fato está claro que devem haver mudanças na segurança da Fórmula 1. Como escreveu Philippe Bianchi, pai de Jules, durante o GP do Japão desse ano: "Não há respeito pela vida do piloto ou pela memória de Jules". E é sob a luz da transparência, questionamentos, levantamento de causas e buscas de soluções que a segurança será melhorada.

Os jornalistas têm que fazer perguntas. Os fãs têm que se sentir envolvidos. Os pilotos, seguros. As equipes precisam fazer exigências. E os diretores de prova junto com a FIA: devem fazer mudanças!

Mariana Becker conseguiu informações com Isola; os fãs viram as imagens pelo F1TV; Gasly ficou furioso com a situação com a qual se deparou. E agora equipes e FIA? O que vocês podem fazer? Estamos aguardando. A situação é grave!

Guilherme Jamil

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

NASCAR - Os playoffs estão começando

Aí está, a NASCAR tem seus playoffs prontos. Chicagoland, New Hampshire e Dover serão as primeiras corridas. 16 pilotos (Jamie McMurray, Brad Keselowski, Austin Dillon, Kevin Harvick, Kasey Kahne, Denny Hamlin, Ricky Stenhouse Jr, Kyle Busch, Matt Kenseth, Ryan Blaney, Chase Elliott, Ryan Newman, Kurt Busch, Kyle Larson, Jimmie Johnson e Martin Truex Jr) irão ter a chance de ganhar o grande (e pesado) troféu de campeão da temporada.

Enfim, sobre a última corrida da temporada regular, Kyle Larson saiu com a sua 5ª vitória da carreira (primeira que não em uma pista de 2 milhas) e Joey Logano, vice campeão da temporada passada, está fora dos playoffs de 2017, mesmo após uma forte 2ª posição de chegada em Richmond. Vale a pena lembrar que sua vitória na primeira etapa em Richmond foi impugnada. Quando os pilotos vencem uma corrida, eles estão automaticamente classificados para o Chase, mas Joey Logano foi reprovado na inspeção pós-corrida por irregularidades na suspensão de seu carro.

Martin Truex Jr tem uma enorme vantagem nessa primeira fase. Com 18 vitórias de segmentos, 4 vitórias e o título de campeão da temporada regular, Truex somou 53 pontos bônus para os playoffs, 20 a mais que o segundo melhor bonificado, Kyle Larson. Lembrando: Cada vitória de segmento vale 1 ponto e cada vitória vale 5 pontos bônus.

16 pilotos, 10 corridas, 4 finalistas, 1 campeão. A grande pergunta é: Quem será o campeão? Bom, daqui a 10 semanas teremos a resposta.

André Jamil

domingo, 10 de setembro de 2017

Motores híbridos - um tiro que saiu pela culatra

A grande revolução das competições automobilísticas dessa década se mostrou um grande fracasso. A FIA, desde a ascensão de Todt, promoveu o desenvolvimento dos híbridos com o intuito de aumentar a aplicação e evolução tecnológica do propulsores, por meio de sua implementação na F1 e também na principal categoria dos protótipos de endurance, a LMP1. Como resultado, desde 2014 a Fórmula 1 vive uma era de alarmante discrepância de desempenho entre as equipes, e, a partir de alguns anos antes, instaurava-se uma crise sem precedentes na principal categoria do WEC, e muito disso se deve aos motores híbridos.

A renomeada unidade de potência nunca vingou em nenhuma das categorias. Por mais que a F1 sempre foi palco de aplicações de novas tecnologias automotivas, o motor híbrido foi uma das mais caras (se não a mais custosa) de toda a história do esporte. O alto custo de desenvolvimento e a alta complexidade estrutural da engenhoca resultaram na debandada geral de montadoras da LMP1. A competição de endurance sempre foi marcada pelo incessante embate entre montadoras, exibindo inovações a cada edição das 24 horas de Le Mans, e hoje vê sua principal categoria mergulhada em uma crise desesperadora, enquanto as demais categorias - que não usam os motores híbridos - prosperam.

Já na F1, o atual panorama em relação à famigerada unidade de potência é assustador. Há um grande "hibridismo" no paddock (construtores e não construtores dos motores), provocado pela adoção de tal sistema: aquelas equipes que não fabricam seus próprios motores se tornaram completamente dependente das fabricantes. A maior evidência de tal covarde relação esportiva é o fato da renomada McLaren, fortíssima concorrente das equipes fabricantes, em condições normais, poder depender de um conselho administrativo para decidir seu fornecedor de motores.

Formaram-se, na prática, grandes empresas de F1, como a Mercedes, que voltou à categoria em 2010 com uma mentalidade empreendedora, com fins primários explicitamente lucrativos. Com o anúncio da alteração dos propulsores, em pouco tempo a marca alemã voltou seus objetivos para a construção da unidade de 2014, estabelecendo o domínio da categoria, lucrando com prêmios e com os clientes reféns.

Me pergunto por que não há um campeonato dos motores, estes sim valendo prêmios milionários (em vez do campeonato de construtores), para suprir os gastos estratosféricos do desenvolvimento dos propulsores. Além da questão financeira, muitas marcas poderiam ser atraídas para investir na categoria automobilística e fornecer motores para as equipes não fabricantes, desenvolvendo o motor em associação com o projeto completo do carro das equipes.

Contudo, resta agora aos fãs aceitar e abraçar os híbridos, já que as alterações do calendário do WEC para um futuro próximo é as propostas mudanças no regulamento das unidades de potência da F1 para 2021 sugerem que os híbridos vieram para ficar por algum tempo. Inclusive há a possibilidade de a McLaren se tornar construtora de motores (caso o custo para produção seja aceitável), solucionando, ao menos o maior problema da F1 promovido pela nova unidade de potência.

Guilherme Jamil

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Fórmula 1 - 5, 4, 3, 2, 1 e decolar! Digo... e é dada a largada!

Um acontecimento bem inusitado na sessão de qualificação do GP da Bélgica remete a uma questão intrigante, que nós fãs já estamos procurando a resposta há algum tempo: quem é um piloto de F1?

Com um equipamento assustadoramente lento, Fernando Alonso faz o possível para manter seu nome entre os melhores em todos os finais de semana. Desta vez, a falta de potência do motor Honda mais uma vez o prejudicava em suas voltas rápidas, sobretudo na longa reta Kemmel do circuito belga. Assim, para tentar descontar a desvantagem, Fernando contornou a desafiadora curva 12 (ou Pouhon) de Spa-Francorchamps sem tirar o pé do acelerador, o que muitos pilotos não conseguiam, mas em seguida seu carro perdeu potência.

Parecia normal (ainda mais se considerado o histórico recente de defeitos mecânicos da unidade de potência japonesa), se não fosse uma curiosidade absurda: o sistema ERS (um motor alternativo que recupera energia a partir da energia cinética a partir dos freios e energia térmica dos gases do escapamento) proporciona 160 cavalos de potência "extra" na impulsão do veículo. Contudo o sistema fica à disposição do piloto apenas 33,3 segundos por volta, isto é, bem menos do que o tempo gasto em uma volta em qualquer circuito. Logo, os pontos em que será utilizado tal sistema são definidos previamente a partir de simuladores e computadores (pessoalmente prefiro o termo artificialmente). No caso específico do piloto espanhol, o sistema era acionado, dentre outras maneiras, a partir da aceleração de Fernando, que possibilitava o reconhecimento eletrônico da posição do carro em relação à pista, e identificasse seus pontos de ação. Ao mudar o estilo de pilotagem em apenas uma curva (já que não contornava a Pouhon "de pé cravado" usualmente), a habilidade de um piloto único como o espanhol, foi suficiente para arruinar sua volta, uma vez que o sistema perdeu o referencial e não proporcionou a potência "extra" de 160 cavalos nos pontos programados em sequência.

Eis aqui uma reflexão: trata-se de uma corrida de carros, naves espaciais ou pilotos? Agora realmente estou confuso! Se fosse uma corrida de pilotos, venceriam apenas os mais corajosos que, em primeiro lugar buscariam estudar pontos específicos do traçado em que poderiam ser mais rápidos, (como nesse caso de Alonso); já se fossem carros: trata-se da única competição em todo o globo em que são utilizados milhares de comandos "extra-automobilísticos" que não acelerar, frear, virar o volante e passar marchas, alguns até realizados a partir de uma ação executada fora do "carro" em questão; sobrou apenas uma opção, e ao olhar para o volante (ou central de comando?) e para a unidade de potência (unidade de potência!) estou cada vez mais convicto de que é a certa.

Não desmereço aqui naves espaciais ou quaisquer outras máquinas fascinantes. Apenas fico assustado com a tamanha confusão: uma competição automobilística em que são utilizadas "quase-naves espaciais". Refiro-me ao fato de que as tecnologias hoje empregadas nos carros não são essencialmente mecânicas. Dentre as diversas engenharias, a que é primordial em um carro (desde os primeiros inventos no final do século XIX e início do século XX) é a mecânica. Atualmente, a tendência é contrária a isso, uma vez que os avanços eletroeletrônicos têm se tornado bem mais figurantes, o que não condiz com uma corrida de carros de Fórmula 1.

Aqui vale outra argumentação: os automóveis urbanos não necessariamente devem seguir à risca tais preceitos, uma vez que o objetivo é a locomoção mais eficaz e confortável (dentro do possível, mais rápida). Em uma corrida de carros de Fórmula 1 necessitam-se, obviamente de carros de Fórmula 1: aqueles mais puros e mecânicos, que constituem toda a gloriosa história do esporte e que seus fãs tanto amam. Então é necessário, para que retornem o motor à combustão, o volante e o piloto, quebrar um paradigma histórico: desatrelar pesquisa e desenvolvimento tecnológico (aplicadas em sua maioria nos automóveis particulares) dos carros de F1. Qualquer aplicação de progressos da engenharia nesse quesito resultaria (se já não resulta) em uma categoria bem diferente do que já foi a tradicional F1.

No embate entre pilotos, motores e carros contra engenheiros, unidades de potência e naves espaciais fico com o primeiro lado.

Guilherme Jamil

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Fórmula 1 GP do Azerbaijão - o que ninguém esperava

A cidade de Baku foi o palco do espetáculo automobilístico do último domingo (25). Incidentes, imprevistos, disputa e arrojo resultaram no GP mais marcante do ano até agora, e com certeza entrou para a história.

Um circuito muito técnico e desafiador como o de Baku proporcionou com que equipes promovessem ajustes agressivos em seus carros e que os pilotos os levassem ao extremo, literalmente "ralando o muro". Como era de se esperar, muito acidentes ocorreram, sendo dois deles entre companheiros de equipe , e os quatro favoritos à vitória (Hamilton, Bottas, Räikkönen e Vettel) tiveram que lidar com adversidades.

Realmente foi vistoso o fato de que os acidentes e incidentes que envolveram 12 pilotos ao todo mudaram completamente o panorama da corrida e houve uma disputa intensa por posições e uma grande interrogação para o vitorioso. Os favoritos que se acidentaram vinham com a "faca nos dentes" e, com incríveis recuperações protagonizaram as disputas que se estenderam até os últimos metros. Ricciardo leva a Red Bull ao topo do pódio pela primeira vez no ano, Stroll e Magnussen se destacaram e chegaram em 3º e 7º, e Bottas (2º), Vettel (4º), Hamilton (5º) e Ocon (6º) chamaram bastante a atenção para a recuperação que tiveram durante a corrida.

Fica agora, a curiosidade a respeito das consequências de tantos incidentes: incidentes entre companheiros de equipe, inconfiabilidade dos motores Renault e Honda, o embate direto entre Vettel e Hamilton e o acidente entre os dois e os primeiros pontos da McLaren e de Fernando Alonso.

O clima na Toro Rosso e na Force Índia não era dos melhores, já que Daniil Kvyat se descontenta com a preferência dada a Carlos Sainz e os dois pilotos da equipe indiana protagonizaram uma disputa eletrizante na corrida anterior, e motivou a competição interna. Kvyat fazendo com que Sainz rodasse ao desviar de seu companheiro e Ocon e Pérez se acidentando em uma disputa por posições vai dar muito trabalho aos diretores das equipes para acalmar os ânimos e reestabelecer a ordem. No caso da equipe indiana, era iminente uma disputa mais acirrada entre dois pilotos arrojados e competentes, e houve apenas um acidente de corrida (Ocon não deu espeço suficiente a Pérez, ao ultrapassá-lo, contudo o francês tinha uma péssima visão lateral, ao contrário de seu companheiro). Na Toro Rosso a situação é mais complicada, uma vez que ambos os pilotos carecem de resultados melhores e Kvyat pode perder sua vaga na equipe, dada tal situação interna da STR.

Alonso supera as adversidades e o problema com o motor Honda por pelo menos uma corrida e finalmente conquista seus dois primeiros pontos na temporada. Bastante estranho ver a McLaren comemorando tal resultado, em contraste com os que conseguia há pouco tempo. Já Verstappen não teve a mesma sorte do espanhol e o estouro de seu motor Renault reforça a discrepância de desempenho dos motores Ferrari e Mercedes para os demais.

Já Vettel e Hamilton apenas se desentenderam na pista, apesar da agressividade do alemão. Hamilton, malandro, vinha bem lentamente logo antes da relargada, o que resultou na batida por trás de Vettel (que não esperava tal atititude) em sua Mercedes. O descontentamento do ferrarista e sua consequente reação passaram longe da moralidade, mas toda a repercussão e investigação sobre o contato entre os dois é bem desagradável.

Com tantos imprevistos e a competição que deseja-se ver, Baku fica bem marcada na memória de muitos fãs, inclusive na minha.

Guilherme Jamil

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Por dentro do GP - Catalunya

A manhã do dia 14 de maio foi como qualquer manhã de domingo, com muita emoção na pista. O GP de Catalunya manteve a escrita de 2017, e foi palco de mais um duelo entre Vettel e Hamilton, que se mostram os principais concorrentes da temporada.

Nas etapas anteriores, a Mercedes vinha sofrendo com o desgaste excessivo dos pneus e a consequente queda de rendimento em ritmo de corrida. Visando consertar tal deficiência, um novo pacote aerodinâmico foi apresentado para a corrida na Espanha, e o resultado foi exatamente o almejado equilíbrio técnico com a Ferrari durante as 66 voltas do Grande Prêmio.

Os pilotos das duas equipes se alternaram nas 4 primeiras posições no treino classificatório, com Hamilton atingindo a marca de 64 poles positions na carreira. Já na corrida, Vettel tomou a ponta logo na largada, e manteve um ritmo semelhante ao do inglês. A disputa seguiu com um jogo de estratégia bem interessante por parte da Mercedes e uma decisão equivocada da Ferrari - que atrasou a parada de Vettel em 1 volta (logo após o término da bandeira amarela). Como resultado, Vettel perdeu os 8 segundos de vantagem que tinha sobre Hamilton. Houve, então, melhor disputa da corrida, com o inglês prevalecendo e vencendo sua segunda corrida no ano.

Räikkönen e Ricciardo abandonaram após se tocarem na primeira curva e Bottas teve seu motor estourado. O acidente de Räikkönen levou aos prantos o garoto francês Thomas, de 6 anos, que roubou a cena, e teve a chance de conhecer seu ídolo:











Valendo-se tais abandonos, Daniel Ricciardo foi o terceiro (bem distante dos dois primeiros) e a Force Índia conquistou impressionantes quarto e quinto lugares com Pérez e Ocon, respectivamente.
O desempenho surpreendente da equipe indiana e sua crescente ascensão no campeonato de Construtores foram bem destacados pela imprensa, sobretudo a performance do jovem francês Esteban Ocon (que disputa sua primeira temporada completa na categoria e já obteve resultados expressivos e constantes).

Outro destaque foi Pascal Wehrlein, que terminou na oitava posição e conquistou os primeiros 4 pontos a bordo de um limitadíssimo carro como a Sauber. Também foi centro de atenções (levando em consideração o sofrível desempenho geral apresentado pela McLaren até agora). o sétimo colocado no treino classificatório, Fernando Alonso, cujo desempenhou levou ao delírio seus compatriotas nas arquibancadas.

O GP da Espanha contou com disputa acirrada pela primeira colocação; embate direto entre duas equipes, valendo pontos importantes na tabela de classificação; ultrapassagens arriscadas e toques; inteligência no jogo de estratégia. Foi uma corrida bem interessante de se acompanhar, o que finalmente anima o fã de Fórmula 1. Por mais corridas como essas.

Guilherme Jamil

Que subam os giros dos motores!

Era bem esperada a temporada de 2017 da Fórmula 1, já que mudanças no regulamento estavam previstas, originando um clímax intenso para os fãs. Decorridas as 5 primeiras etapas, torna-se possível uma análise comparativa com as temporadas anteriores, sobretudo no que se refere à competitividade, que mais atrai o público.

A principal mudança técnica para esse ano é a alteração das dimensões dos veículos e dos pneus. É uma questão importante a ser analisada, uma vez que se trata de alterações estéticas perfeitamente visíveis para o torcedor, o que o aproxima dos bastidores e possibilita maior conhecimento técnico sobre o esporte, de certa forma. O novo regulamento prevê carros e pneus mais largos, a fim de aumentar a pressão aerodinâmica sobre o monoposto e sua estabilidade nas curvas, proporcionando maior velocidade média na volta. Isso resulta em uma maior pressão (da força G) sobre os pilotos, aumenta a dificuldade de ultrapassagem em linhas gerais e aumentou o equilíbrio técnico entre carros distintos. Portanto, a alteração no regulamento foi, sem dúvida, a mais atraente e comentada.

Nas pistas, o resultado é perceptível: a incontestada Mercedes de 2016 agora sofre pressão constante da Ferrari, gerando o maior duelo do campeonato até agora, entre Vettel e Hamilton. Tal equilíbrio técnico ressaltou a importância da estratégia de pit-stops durante as corridas, visto que o domínio da Mercedes dos anos anteriores os garantia a segurança de estratégias menos arriscadas e mais conservadoras. Como comprovação, duas corridas já foram decididas em ultrapassagens proporcionadas por estratégias adotadas: os GPs de Austrália e Espanha.

É notável a incessante disputa pela primeiras posições (dada a competitividade da Mercedes e Ferrari), com a intensidade desejada pelos fãs. Contudo, a discrepância dos níveis técnicos entre as demais equipes continua absurdamente alta - evidente no baixo número de ultrapassagens e pouca competitividade dos integrantes no pelotão intermediário. Conclui-se que a disputa que todos os espectadores desejam ver (pela ponta), é corriqueira, apesar de ainda um pouco monótonas as corridas. Talvez devesse ser o principal foco da direção da categoria proporcionar maior desenvolvimento técnico das demais equipes, a fim de estimular mais ultrapassagens, profissionalismo e entretenimento.

A perspectiva para a solução do problema do número de ultrapassagens é boa, visto que os comandantes da Fórmula 1 são novas figuras no Paddock: o grupo Liberty Seguros adquiriu os direitos de transmissão das provas da categoria, e um excelente trabalho foi feito até agora, já que o interesse na categoria cresceu com as medidas adotadas pelos dirigentes. Vêm sendo tomadas ações que aproximam o público dos bastidores e aumentam a popularidade da Fórmula 1, como a feita com o jovem francês Thomas (que entrou em prantos quando Räikkönen bateu no último GP, foi identificado pela equipe de transmissão da corrida e foi convidado a conhecer pessoalmente o ídolo).

Realmente é bem interessante a temporada de 2017 e a perspectiva a respeito do futuro do esporte, animadora para os fãs, investidores e pilotos. As mudanças desejadas vêm acontecendo efetivamente. Os fãs finalmente podem esperar ansiosamente pela próxima corrida (GP de Mônaco, dia 28 de maio).

Guilherme Jamil

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Fórmula 1 2016 - Muito aprendido; muito a se aprender

Durante a escuridão surge a luz da esperança após o campeonato de 2016. O melhor dos últimos anos e da era híbrida indiscutivelmente. Há algum tempo já não se esperava ansiosamente por um GP, não se parava todos os afazeres para ligar a televisão e assistir de pé à uma corrida empolgante.

Obviamente a Fórmula 1 já foi muito mais do que é hoje, tanto em termos de competitividade como em audiência, etc.. Visivelmente as corridas de hoje em dia não são as mesmas de anos atrás em que vários carros de desempenhos muito semelhantes disputavam cada curva, cada metro da pista, cada segundo e todas as corridas eram um verdadeiro espetáculo de competição automobilística do mais alto nível. Entretanto, todo grande fã do esporte, independentemente de politicagem, regras e punições estúpidas, alto emprego de tecnologias que diferenciam muito o desempenho dos carros e outros semelhantes fatores, se comoveu com o campeonato. A cada etapa do calendário o cenário mudava, e mesmo que apenas entre pilotos em circunstâncias parecidas, Hamilton e Rosberg trouxeram fortes reminiscências de campeonatos outrora já vistos. Pessoalmente, confesso que poucas vezes presenciei uma disputa pelo título até as últimas curvas do ano, e para quem fica na expectativa durante semanas para a próxima corrida, há poucas sensações melhores.

Particularmente defendo a atuação de Hamilton para tentar garantir o tetra campeonato. É justo que o líder controle o ritmo da corrida, assim como no futebol, na NFL, baseball e basquete, o time que possui a vitória parcial pode adotar a estratégia de controlar melhor o rumo da partida em seu favor. Claramente em um ritmo mais lento do que o próprio limite, O inglês tinha plena consciência da vantagem de sua máquina (e da de Rosberg) em relação às demais. Para não depender de um erro grotesco de Nico para se sagrar campeão, a decisão de Hamilton de focar no título e não na vitória é completamente compreensível, uma vez que ser campeão está acima de qualquer vitória para a maioria dos que possuem o sonho de tal glória, e certamente para Lewis. Compreendo o julgamento por parte dos espectadores como atitude antidesportiva, mas pessoalmente não a julgo como tal, partindo do pressuposto que foi apenas a estratégia legalmente permitida adotada por Hamilton.

A Fórmula 1 se despede de 2016 muito mais fortalecida em relação à etapa de Melbourne. Foi mostrado para o mundo inteiro um verdadeiro espetáculo de pilotagem em inúmeras ocasiões (com menção honrosa para o GP do Brasil, dada as circunstâncias meteorológicas), o que realmente contagia o público. 2016 foi um ano de quebra de recorde por parte da Mercedes: 19 vitórias em uma temporada, história sendo escrita. Um campeão inédito, traçando os traços do pai Keke, Nico escrev seu nome nas memórias do esporte ao repetir o feito de Damon Hill. Uma gigante ascensão por parte da Red Bull e com destaque para todo o time de Christian Horner, que fez o carro evoluir, mas também os pilotos, sobretudo Verstappen. A apresentação do circuito único e muito desafiador de Baku, que indubitavelmente apresenta enorme potencial para proporcionar eventos históricos. Infelizmente também foi um ano de despedidas (Button e Massa), que certamente farão muita falta ao paddock dos GPs. A ascensão dos jovens também merece ser destacada, como o derradeiro desempenho de Nasr na "corrida da casa", garantindo o suporte que sua equipe tanto necessitava. 

Com a expectativa para 2017 desse nível, só o grande fã do automobilismo e a própria Fórmula 1 tendem a ganhar. Ainda se tem muito a evoluir, mas muito obrigado ao circo de 2016!



Guilherme Jamil

sábado, 3 de setembro de 2016

Fórmula 1 - Dinheiro, o mal desnecessário

A categoria tão reconhecida e amada dos anos 70, 80, 90 e 00 infelizmente não existe mais. Uma pena que a emoção das disputas por posições, o jogo de estratégia e a inteligência e uso da mecânica - principalmente por parte de pilotos - não são mais parte da rotina de domingo de manhã. A Fórmula 1 se tornou o local de testes de estratégias financeiras e aplicações das inovações de eletrônica e aerodinâmica.

Há muitos anos já se tornou impossível um grande fã da categoria montar sua própria equipe e realizar o sonho de se tornar campeão mundial. O que dizer então dos próprios pilotos construir o equipamento campeão? Tomando esse rumo, nunca mais existirão Jack Brabham, Bruce McLaren, Graham Hill, Frank Williams, Colin Chapman, Ross Brawn, entre outros que seriam muito mais influentes que um grupo de empresários, engenheiros e pilotos de simulador. Dietrich Mateschitz e Vijay Mallya fizeram seus investimentos na hora certa - e hoje possuem equipes bem sucedidas no grid - visto que equipes recentemente fundadas enfrentam dificuldades financeiras gravíssimas e muitas não se sustentaram na categoria, como foi o caso da HRT e da Caterham além da Haas (do grande proprietário Gene Haas, que é dono de uma equipe de ponta na NASCAR em associação com Tony Stewart, e possui uma maior sustentação no automobilismo graças à isso) e a Manor (que, em tese, também faliu e foi "doada" às equipes de ponta como Mercedes e Ferrari, empregando jovens e promissores pilotos da base dessas equipes em troca de uma ajuda no desenvolvimento de seu carro).

Todos esses problemas com as equipes têm uma causa em comum: os custos estratosféricos para se montar e manter uma equipe competitiva. O diretor da categoria, Bernie Ecclestone, é o grande responsável por toda essa desestruturação da categoria. Atuando como dirigente da categoria desde o final dos anos 70, Bernie Ecclestone passou a negociar os direitos de transmissão das corridas e foi arrecadando cada vez mais com o passar dos anos. Ele se enriquecia cada vez mais e as equipes arcavam com os altos custos. Com a crise financeira de 2008 e a debandada em massa das montadoras, os custos ficaram e empresários não conseguem se sustentar, consequentemente a categoria também não. Apenas Bernie Ecclestone... Bernie se empoderou com a Fórmula 1 e a destruiu para isso. A perspectiva é de decadência exponencial da maior diversão de muitos pelo mundo afora, até que se acabe o reinado de um mísero aproveitador.

Uma das poucas soluções seria uma maior intervenção de ex-pilotos (há alguns que já o fazem, como Jackie Stewart e Niki Lauda), já que estes têm maior experiência e moral para lidar com a situação. Já passa da hora de campeões do mundo controlarem a situação antes que seja tarde demais (se é que já não é) e tragam a Fórmula 1 de volta: com carros mecânicos (com menos protagonismo da aerodinâmica e eletrônica), desenvolvidos por pilotos e engenheiros (e não por proprietários e gerentes), de um custo muito mais baixo e, principalmente, seguro. Durante as décadas de 70, 80 e 90 as corridas eram bem mais emocionantes, contudo muito mais perigosas. Logo, o viável seria tirar lições de cada grande acidente que houve nesse tempo, sem tirar a principal característica dos carros: a difícil dirigibilidade. E com fatos se prova que os carros dos anos 2000 eram bem mais seguros que os de hoje, como os acidentes de Jules Bianchi e de María de Villota.

A primeira lição da temporada de 2016 é: dinheiro (lê-se Ecclestone) não é o caminho certo para o futuro, e sim os fãs. Nós, fãs, quem fazemos a Fórmula 1.

Guilherme Jamil

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Na última curva! Vai Tony! - NASCAR

Em sua décima sétima temporada na NASCAR, Tony Stewart continua surpreendendo os fãs, assim como as corridas da categoria sempre fizeram. O grande piloto do carro 14 é muito querido pelo público norte-americano. Tricampeão, recentemente apareceu mais fora das pistas com suas polêmicas do que propriamente nas pistas. Contudo, o grande vencedor se aposenta ao final da temporada de 2016 e deixará saudades.

A temporada começou de uma forma desastrosa para Tony. Uma lesão nas costas, devido a um acidente de buggy, o tirou das pistas pelas primeiras oito etapas da temporada, o que reduzia muito suas chances de integrar o Chase (fase final do campeonato, em que apenas 16 pilotos disputam o título). O retrospecto recente do tricampeão ainda sustentava essa hipótese, uma vez que a última vitória de Tony havia sido em 2013 e o piloto ainda não conseguira se classificar para o Chase nos últimos três anos.

Começada sua temporada, Tony vinha sendo mais consistente que nos anos anteriores, aparecendo no grupo dos líderes eventualmente em algum momento da corrida. Porém, sua desvantagem na tabela de classificação era enorme, devido a quantidade de provas perdidas, o que inviabiliza uma classificação do 14 por pontos. Sendo assim, a única alternativa restante seria terminar a 26ª etapa pelo menos na 30ª posição e obter uma vitória, já que o primeiro critério para integrar o grid do Chase é o número de vitórias.

A última etapa da NASCAR foi realizada em Sonoma, um dos dois circuitos mistos da temporada, que tem por característica ser uma das mais imprevisíveis etapas da temporada, justamente por ser diferente dos padrões da categoria (circuitos ovais). A corrida foi protagonizada pelo alto desempenho dos carros da Joe Gibbs - isto é, Kenseth não disputou efetivamente pela vitória - A.J Allmendinger e Martin Truex Jr. Tony estava sempre perto dos líderes, porém estes dominavam a corrida. Em uma estratégia diferente no final, Tony parou antes de todos os outros, garantindo-se, em termos de combustível, até o final da prova. Imediatamente veio a bandeira amarela: como todos ainda fariam mais uma parada nos boxes, Tony assumiu a liderança faltando algo em torno de 20 voltas para o final. A grande questão era se o 14 suportaria uma pressão de Hamlin, que estava em um ritmo muito forte. O carro 11 pressionava incessantemente Tony, até que Truex Jr. (terceiro colocado) se aproximou e começou uma disputa com Hamlin, o que possibilitou a Tony abrir um pouco de vantagem de Hamlin com 7 voltas a serem completadas. Contudo, Hamlin se firmou atrás de Tony e partiu em busca da vitória. O resultado? Sensacional!



Vitória do Smoke! Tony errou na curva sete (como também havia feito na volta anterior no mesmo ponto da pista) e possibilitou a Hamlin uma tentativa de ultrapassagem. Bem sucedida, mas não sem antes um contato. Mas não se passa o grande tricampeão assim sem troco. Quando Hamlin errou na freada da curva 11 (aparentemente deve ter focado no retrovisor para tentar apenas bloquear Tony), Smoke jogou, sem temer o que viria a seguir, seu carro para cima do carro de Hamlin, para assegurar sua primeira vitória nas últimas 84 corridas.

Assim, Tony encaminha um classificação, completamente improvável. Tony está 9 pontos atrás de Brian Scott (30º colocado - posição que Tony precisa assumir para se classificar com uma vitória). Como o critério de desempate, depois das vitórias, é a classificação na tabela de pontuação, a classificação de Stewart estaria seriamente comprometida, devido a sua desvantagem pela sua ausência nas oito primeiras etapas. Contudo, obviamente, isso só aconteceria se 16 pilotos além de Tony vencerem. Restando 10 etapas para a definição dos candidatos ao título, 10 pilotos (além de Tony) já venceram nesta temporada, porém muitos deles venceram mais de uma corrida nos últimos anos, e é para isso que o piloto do 14 torcerá para se classificar.

Relembrando a temporada passada, a corrida de Sonoma também foi marcada por um piloto que passava por uma situação muito semelhante à de Tony: Kyle Busch. Após perder as onze primeiras etapas, "Buschinho" (bem mais em forma que Tony) venceu pela primeira vez na temporada justamente em Sonoma. Porém, o piloto do 18 teve maiores dificuldades em se classificar por retornar às pistas com uma desvantagem, em relação ao 30º colocado na tabela, bem maior que a enfrentada por Tony. Kyle ainda venceria mais três corridas antes do Chase para confirmar sua classificação. De forma surpreendente, ainda venceria a corrida final em Homestead, para se sagrar campeão pela primeira vez.

Outra situação bem semelhante foi a de Jeff Gordon. Também vindo de uma longa sequência sem vitórias (porém bem menor que a de Tony - 39 corridas), outro multicampeão se despedia das pistas naquele ano. Classificado por pontos, Gordon venceu de forma brilhante em Martinsville, o que o garantiu na disputa pelo título na corrida final. Assim como Tony, foi ovacionado por todos, o que rendeu ao ex-piloto do 24 um gigante mosaico em sua homenagem na corrida final.

Porém, após toda essa disputa, contas matemáticas e flashbacks, o que realmente importa é que o Smoke está de volta. E com um pé (ou com três rodas) no Chase. Expectativa de despedida em alto estilo. Valeu Smoke!


Guilherme Jamil

Minas Bowl - Por mais destes!

O esporte contagiante, cuja audiência é uma das que mais crescem no Brasil, teve mais uma empolgante atração em Minas Gerais. Mais de oito mil fãs foram ao Mineirão para acompanhar o Minas Bowl, entre Minas Locomotiva e Get Eagles.



O esporte é muito complexo, inteligente, bruto e disputado, ingredientes que atraiu o público brasileiro recentemente, o que aumentou significativamente os números de espectadores da NFL. A liga norte-americana é a mais especializada e avançada em técnicas e táticas de jogo, tornando o jogo vistoso de se ver. Nota-se hoje organizações de torcida, sites de fãs, transmissões e análises de jogos e um público que realmente curte o esporte, sendo que muitos até torcem para alguns times na liga americana. O próprio Super Bowl se tornou um evento muito popular por aqui.

Nada melhor como ver o esporte que tanto curte ao vivo. Duas excelentes iniciativas deram bons resultados, e altualmente são bem conhecidas em Belo Horizonte. Minas Locomotiva e Get Eagles foram fundados na cidade por amantes do esporte, alguns até de longa data, e recentemente protagonizaram o maior evento desse esporte no estado de Minas Gerais

Chegando ao estádio, era possível notar claramente uma divisão nas torcidas: cada uma possuía sua torcida organizada. Uma atração à parte! Duas torcidas que incentivaram os times durante todo o jogo. Haviam também as cheerleaders (líderes de torcida - sempre presentes em jogos da NFL). Para a entrada dos times, superprodução: os jogadores entravam correndo, rasgando a tela que continha o escudo de seu time, sem contar os holofotes nas cores destes. Quando o Locomotiva entrou houve o apito da locomotiva, o que levou seus fãs ao delírio. Um verdadeiro espetáculo! Na cabine, haviam dois narradores do esporte no Brasil: Rômulo Mendonça e Paulo Mancha (interlocutores da ESPN - narram a NFL para o Brasil), com seus tons bem humorados tornaram o jogo diferente, único. Para sacramentar, houve um show de rock sensacional, com músicas mais antigas, que também agradou bastante o torcedor.

O jogo, tecnicamente, não era o mesmo da NFL, já que os times daqui são recentes e ainda estão em fase de desenvolvimento. Taticamente foi possível notar algumas jogadas bem treinadas, como o jogo de corrida e a ação agressiva da linha defensiva do Minas Locomotiva e o jogo aéreo vertical do Get Eagles. Ambos deram bons resultados, levando o jogo a um equilíbrio técnico.

Apesar do Get Eagles ter se sobressaído no primeiro tempo, principalmente por meio de sua ação defensiva, o Locomotiva se recuperou, após ir para os vestiários zerados, e, com um ataque muito eficiente, conseguiu uma virada sensacional a trinta segundos do fim, principalmente após um desempenho fenomenal do ataque aéreo dos vermelhos. Placar final: 21 a 17 para o Locomotiva. Não podia ser melhor!

O legado que isso deixa é que o esporte cresceu de maneira absurda no Brasil, e muito possivelmente poderá ser comparado às grandes "potências" da bola oval. Realmente surpreendente e muito animador o resultado. Por mais destes!

Guilherme Jamil

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A Fórmula 1 respira

Oito corridas se passaram e a previsão vai se confirmando: doutrina da Mercedes. 2016, porém, não têm sido como nos outros anos, uma vez que o nível de competitividade aumentou, assim como o equilíbrio técnico entre as equipes.

O ponto interessante é que não cabe mais a comparação entre equipes, mas sim por pelotões, em que ocorre alguma disputa, troca de posições e emoção para o público. A diferença de estratégias têm voltado a figurar, decidindo corridas, como a de Vettel no Canadá, e Ricciardo (este não uma divergência de estratégias, mas um erro). Contudo, ainda completamente distante daquilo que outrora já foi a categoria.

Em relação ao desempenho das equipes, a Mercedes não evoluiu muito, ao passo que Red Bull e Ferrari se equilibraram e vêm pressionando as "flechas de prata". A Williams não progrediu muito e ainda sofre com problemas financeiros. A Force Índia progrediu bastante e conquistou dois pódios nessa temporada. Toro Rosso têm sido mais figurante na zona de pontuação e seus pilotos, muito observados pelos espectadores e pelos chefes da Red Bull (e Helmut Marko, Max Verstappen que o diga!). As outras equipes (McLaren; MRT; Renault; Haas) foram meras coadjuvantes, sem resultados consistentes. Porém a que impressiona é a Sauber: indiscutível que o terror foi implantado na equipe ao se tratar de termos financeiros, e a clara evidência disso são os pífios resultados, sendo constantemente a pior equipe do grid. Com níveis técnicos mais definidos e próximos, hoje ainda persiste uma previsibilidade no resultados particulares das equipes, porém há uma proximidade maior entre esses, em relação aos anos anteriores (em que apenas o carro fazia a diferença). No geral, é essa a Fórmula 1 de 2016.

A temporada é mais atraente que em anos anteriores, no que tange a competitividade. Somado a isso, a mudança de Max Verstappen para a Red Bull seguida de vitória, os resultados inconstantes de Hamilton e uma aproximação de Ferrari e Red Bull são animadores, tornando essa a melhor temporada dos últimos três anos (quando a categoria passou por mudanças drásticas, que persistem até hoje). Rosberg tem apenas 24 pontos de vantagem para Lewis Hamilton e 45 para Vettel, o que não era visto há muito tempo: uma maior proximidade em relação aos carros da Mercedes. Outro atrativo foi o Grande Prêmio de Baku, uma pista atraente, única no universo da Fórmula 1, com trecho de altíssima velocidade, outro impressionantemente estreito (entre os castelos) e conta com 6 quilômetros de pura emoção.

Contudo, a Fórmula 1 que muitos brasileiros viam ("quando Senna corria...") não é a mesma. O carro, hoje, faz muito mais diferença que anteriormente, além do fato de que o sistema de pontuação não colabora para maior competitividade, além do fato de que o reabastecimento (fator determinante em muitas corridas) hoje se ausenta na categoria (este, porém, é muito discutido, sobre o fato de retornar à categoria). Para 2017, uma grande atração será a "dança das cadeiras" uma vez que Räikkönen deve se aposentar e o futuro de Hamilton na Mercedes é incerto.

Ou seja, a Fórmula 1 apresentou muitas mudanças positivas em relação às temporadas anteriores, mas ainda há pontos simples de serem repensados, que ajudariam a melhorar o esporte. Contudo, há emoção para quem quiser assistir. Não estamos mais na "época de Senna", mas em um caminho certo para atingí-la.

Guilherme Jamil

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Um domingo de Fórmula 1: algo raro!

Longe ainda de ser o que já foi, a Fórmula 1 vem demonstrando "flashes" de sua essência. Contudo, a corrida da Espanha foi um sinal bem forte de esperança, que emocionou a cada um dos verdadeiros fãs do espetáculo.

Em uma categoria terrivelmente má administrada, conseguir um pouco de competitividade é algo fantástico, que já não era visto há algum tempo. Recentemente, a categoria disputada nas pistas e nos boxes passou a ser decidida no poder financeiro, e comprovada ainda nos testes de pré-temporada, que já pré-determinavam os vencedores. Essa tese ainda é muito sustentada para o nível de competitividade hoje visto, porém uma real disputa pela liderança e adrenalina tornaram a vigorar nesse final de semana.

É claro e evidente o absurdo domínio da Mercedes. A expectativa de vitória e até mesmo dobradinha é gigante novamente, pela terceira temporada seguida. Muito provavelmente Hamilton não está em uma situação melhor no campeonato (em relação à Rosberg, pois é o vice-líder, porém muitos pontos atrás) devido a erros individuais e problemas com o carro enfrentados na maioria das corridas esse ano. E Rosberg continua dominante, provocando os fãs a levantarem hipóteses sobre a realidade da conquista do título por parte do alemão.

Comprovando a tese, Hamilton fez a pole e Rosberg completou a primeira fila. Dada a largada, Rosberg sobressaiu-se em relação ao companheiro de equipe, que tentou um contra-ataque, sendo estupidamente agressivo e, com total culpa pelo acidente, arruinando o final de semana das "flechas de prata" logo na terceira curva. Então "começou" a corrida: Red Bull e Ferrari atingindo um altíssimo e equilibrado nível técnico, com os quatro carros travando uma disputa durante as 66 voltas, trazendo de volta o espírito da Fórmula 1. Mais do que belas ultrapassagens, jogo de estratégia e inteligência para controlar uma corrida.

Após o safety-car e o primeiro pit-stop, Vettel logo se aproximou de Ricciardo, e Räikkönen de Verstappen, começando uma disputa de estratégias dentro e fora das equipes. Os quatro pararam aproximadamente na mesma volta, sendo que Vettel retardou um pouco sua parada para se aproximar dos demais (começando a disputa de estratégias). Após algumas voltas de competitividade, Vettel e Ricciardo optaram por adiantar o segundo pit-stop e colocar pneus macios, preferindo velocidade à resistência dos pneus. Já Verstappen e Räikkönen fariam o oposto, na tentativa de fazer um pit-stop a menos. Vettel, porém, teve aparentemente um problema em seu pneu e retornou aos boxes cedo demais, sendo forçado a colocar os pneus mais duros para não precisar parar novamente. Na prática, ficou com os mesmos pneus e com semelhante desgaste de Verstappen e Räikkönen, que fizeram uma parada a menos que Vettel, logo o ultrapassaram. Ricciardo, ao parar pela terceira vez, com pneus mais novos que os três teria grandes chances de vitória, se não fosse Sebastian Vettel, que resistiu bravamente aos ataques do australiano, sendo que por duas vezes quase bateram. Com o sucesso das estratégias de Verstappen e Räikkönen e o "escudo" de Vettel, Verstappen apenas segurou o finlandês nas voltas finais para entrar para a história (o piloto mais jovem a vencer na categoria). Räikkönen e Vettel fecharam o pódio. Ricciardo ainda estouraria o pneu na tentativa de ultrapassar Vettel, mas garantiu a quarta posição. Bottas foi o quinto, mas não teve um desempenho muito bom, ficando muito atrás dos que disputavam efetivamente pela corrida, evidenciando o limite de seu carro. Outro destaque da corrida foi Carlos Sainz Jr. da Toro Rosso, que terminou em sexto, após fazer uma boa largada e alcançar a terceira posição depois da trapalhada das Mercedes.




Uma corrida de Fórmula 1 enfim, o que esperávamos há muito tempo.

Guilherme Jamil

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

NASCAR - A volta por cima!

Um dos esportes mais emocionantes atualmente vem confirmando essa tese a cada nova edição. A última, emblemática, memorável, sensacional.

Chegava-se a etapa decisiva do campeonato, tão aguardada o ano inteiro. Os quatro finalistas se alinhavam para disputar a corrida que consagra campeão aquele que desse seleto grupo chega na frente.

Em 2015: Kyle Busch retornava de uma fratura na perna e no pé (...) na décima segunda corrida: uma reação impressionante e um campeonato fenomenal o garantiu na final; Kevin Harvick vinha de um fantástico início de temporada e uma queda de desempenho no final que ainda foi completada por diversas recentes controvérsias, porém não diminuía o talento e a capacidade do piloto que estava pronto para defender o posto de atual campeão; Jeff Gordon não vinha em uma temporada do mesmo alto nível apresentado em 2014, mas era essa muito especial por ser a última do renomado e querido tetracampeão, que perseguia o penta desde 2002, tendo essa chance de fazê-lo real garantida após uma vitória inesquecível em Martinsville, de onde o piloto do 24 guarda excelentes lembranças; o quarto piloto era tão improvável no início da temporada, mas que foi impressionante e excepcional, fora de série, completamente diferente de 2014: Martin Truex Jr. começou a temporada no auge, venceu uma corrida e, após algumas ameaças no Chase, soube dar a volta por cima e se mostrar inteiro e pronto a dar o primeiro título a uma equipe que deve ter começado o campeonato emae garantir no Chase com remotas possibilidades. Não poderia ser mais completo e emocionante.

Quando Kyle Busch teve o acidente em outra categoria da NASCAR, na véspera da corrida inaugural da temporada, a famosíssima Daytona 500, a incerteza sobre seu futuro na temporada de 2015 era tão grande que nem era cogitado para o Chase. Alguns meses depois, era formado o grupo dos dezesseis candidatos ao título, nele presente Kyle Busch, após uma excepcional reação. Pouco era provável que ao final de nove etapas os quatro sobreviventes seriam esses. Era inimaginável que nem Matt Kenseth, nem Jimmie Johnson, nem Joey Logano se classificariam para a fase decisiva. A quebra do eixo traseiro de Jimmie Johnson em Dover, os inúmeros erros de Matt Kenseth em Charlotte, o toque entre Logano e Kenseth a cinco voltas do fim em Kansas e a consecutiva vingança de Kenseth em Logano em Martinsville deixaram os fãs supresos e muitos animados com a real chance do pentacampeonato de Jeff Gordon.

Chega então a hora da verdade. Homestead-Miami sendo mais uma vez o palco da grande decisão. Jeff Gordon começou bem, aproveitando-se de sua boa posição de qualificação. Contudo, como já aconteceu vária vezes no ano, foi perdendo rendimento durante a corrida e não disputou efetivamente a vitória. Martin Truex Jr. não se recuperou de sua posição de largada e foi menos efetivo que Gordon, não fazendo uma boa prova, diferentemente de seu início de temporada. O fato é que a disputa pelo título ocorreu na pista durante boa parte da corrida entre Kevin Harvick e Kyle Busch. Os dois carros bem acertados e a vontade de vencer fizeram com que permanecessem no "Top 3" na maior parte da corrida. Kyle Busch se mostrava mais inteiro e Harvick não teve um desempenho a altura de vencer o piloto do 18 que, soberbo, ainda ultrapassou Keselowski, que liderava a prova no momento, na última relargada, vencendo sua primeira corrida no Chase em toda sua carreira e um inacreditável título.

Foi impressionante como o imaturo e desastrado piloto dos últimos anos, que sempre era cogitado como uma boa aposta mas perdia muito rendimento no Chase, soube retornar triunfante após quebrar a perna e o pé (...) e perder onze corridas. As quatro vitórias em cinco corridas na hora em que mais delas precisava mostrava que Kyle Busch estava mais maduro, confiante e determinado que nos demais anos. O título foi mais do que merecido, visto que " Buschinho" soube responder a altura quando seriamente pressionado, o que nunca conseguiu fazer nos anos anteriores. Sempre "amarelão" ou "cavalo paraguaio" reverte de forma brilhante a situação.

Merece ser enaltecido também o desempenho de toda a equipe Joe Gibbs. O começo do ano seria muio conturbado devido à entrada de Carl Edwards na equipe. O acidente de Kyle Busch foi muito preocupante e a equipe foi vencer apenas na sexta e na décima segunda etapa no início da temporada. Mas o fantástico desempenho de 10 vitórias em 12 corridas foi determinante, e chegou a ser cogitada a hipótese de os quatro pilotos da equipe - Matt Kenseth; Denny Hamlin; Kyle Busch; Carl Edwards - serem os quatro finalistas. Obviamente seria muito improvável, visto que um único acidente no Chase pode significar a eliminação, como ocorreu com Kenseth e Hamlin. Mas Kyle Busch e a Joe Gibbs foram batalhadores e fenomenais este ano. O título foi bem encaminhado. Certamente um campeonato para entrar para a história.

Chegou ao fim mais uma temporada, o domínio de Harvick, o fim do jejum de títulos de Kyle Busch e também uma carreira estupenda, fenomenal composta de quatro títulos. Jeff Gordon aposenta no auge, perto do penta, com reais chances de conquistá-lo em sua corrida de despedida. O slogan "twenty four-ever" mostra o prestígio adquirido pelo grande piloto que será eternizado na história da NASCAR, entretanto as próximas corridas sentirão sua falta.

Que venham mais temporadas como essa. Adeus Jeff Gordon e parabéns Kyle Busch! 

sábado, 7 de novembro de 2015

NASCAR - Surpresa!

A cada novo capítulo da novela, o final se aproxima, provocando uma ansiedade em fãs e pilotos, e se complica cada vez mais.

Martinsville foi o palco da continuação da polêmica entre Matt Kenseth e Joey Logano. Após o contato entre ambos que tirou de Kenseth sua vitória e a chance do título em Kansas, este afirmou que "descontaria" em Logano, como fez na última corrida e complicou muito a situação do piloto do 22.

Há vários pontos de vistas, opiniões e de deduções que levam a entender ambos. Realmente Logano não precisava da vitória e poderia entender que Kenseth estava em situação desesperadora. Porém, Matt Kenseth acabou sendo imprudente, fechando Logano após se deparar com retardatários a sua frente. Nada que fosse ilegal ou mal-intencionado, mas muito competitivo. Logano poderia ainda ter diminuído a velocidade ou evitado um maior contato, entretanto não há como julgá-lo. Afinal tratava-se da disputa pela liderança a cinco voltas do final da corrida que, naquelas circunstâncias, certamente definiria um consagrado vencedor. Caso Logano aceitasse demais a situação de Kenseth não teria a emoção presente em cada corrida, e, logo, não a poderíamos chamar de NASCAR. Realmente no Chase deve-se esquecer que esta fase do campeonato existe, e apenas focar como se cada corrida fosse a mais importante, pois não deve haver um certo favorecimento aos concorrentes do título. Em um fato paralelo, em 2014 na etapa de Phoenix, Jeff Gordon foi eliminado por 1 ponto, conquistado por Ryan Newman na última curva, quando passou Kyle Larson, que bateu no muro. Após a prova, Larson disse em uma entrevista: "I understand Newman's situation" (eu entendo a situação de Newman), afirmando que cedeu a posição para Newman avançar à corrida final como um concorrente ao título.

Matt Kenseth, porém, não se convenceu de que Logano não fora mal-intencionado ao provocar o incidente que culminou na eliminação do 20 do Chase. Para ele, o choque foi o suficiente para o fazer perder a paciência com Logano e o jogar para o muro, literalmente, a 50 voltas do fim, em Martinsville. Sérgio Lago e Thiago Alves, narrador e comentarista do Fox Sports nessa corrida, novamente fizeram ótimas inferências. Disseram que entendiam e até esperavam que Kenseth se vingasse de Logano, contudo, obviamente, não concordavam e condenavam a ação do piloto da equipe Joe Gibbs. Durante a transmissão foi comentado que o curso da história do campeonato foi alterado por causa do acidente, o que realmente faz com que a suspensão das duas próximas corridas aplicada a Kenseth fosse justa.

Relembrando o fato de 2014 envolvendo Larson, Newman e Gordon, a história do campeonato também foi alterada, e o caso poderia, na mais branda das hipóteses, ser analisado, como foi o de Kenseth e Logano. Obviamente são situações muito diferentes, mas novas regras de competição para o Chase poderiam, consequentemente, até ser feitas, para evitar que incidentes resolvam um campeonato.

Em relação ao público, foi ao delírio. Concordavam com Kenseth? Muitos, sim. Muitos, não. Entretanto é inegável o fato de que o incidente foi emocionante e excitante. Até porque Jeff Gordon acabou sendo beneficiado e venceu a prova, classificando-se para a corrida final em Homestead em sua temporada de despedida da categoria, após uma excepcional e brilhante carreira. Isso sim, quase unânime, o público queria ver.

Inegável é também o fato de que a NASCAR é uma categoria automobilística diferenciada e especial por apresentar disputas mais intensas, mais emoção e competitividade, às vezes até demais. Porém, muito melhor um campeonato mais intenso e vingativo é, do que se fosse uma corrida de se entender a situação do adversário.

Na verdade, a real situação do adversário na NASCAR é que ele pode ganhar de qualquer um, e fará o possível para isso. Conflitos como esse são sinais de vida para o público.

Guilherme Jamil

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

NASCAR - Talladega: nada mais é preciso dizer!

Dá gosto de se ver a NASCAR no Chase ou uma corrida em Talladega. O que dizer da mistura dos dois? Pelo Chase de 2015, os 12 remanescentes concorrentes ao título disputavam uma vaga na fase seguinte, para qual apenas os 8 melhores nas três corridas do Contender Round, segunda fase do Chase. Na primeira etapa do Chase, Clint Bowyer e Paul Menard não chegaram a competir efetivamente com os demais pilotos. Kevin Harvick, o atual campeão, teve problemas nas duas primeiras provas dessa fase e dependia de uma vitória para se classificar, vitória essa que veio em Dover, na última etapa da primeira fase, dramatizando um pouco a situação. Jimmie Johnson, talvez o favorito, muito cotado para avançar, teve o eixo traseiro de seu carro quebrado na terceira corrida, o que o forçou a abandonar a prova e implicou na sua eliminação. Jamie McMurray travou um duelo excepcional com Dale Earnhardt Jr. em Dover, chegando a uma situação tão equilibrada que quem chegasse na frente avançaria e o outro seria eliminado. Dale Earnhardt Jr. fez de tudo para permanecer em terceiro, segurando McMurray logo atrás dele, causando muito entretenimento e emoção.

Para o Contender Round seguiram: Joey Logano, Matt Kenseth e Kevin Harvick como favoritos; Carl Edwards, Kyle Busch, Denny Hamlin, Kurt Busch e Martin Truex Jr. cotados para avançar; Dale Earnhardt Jr., Jeff Gordon e Brad Keselowski ainda precisando convencer mais, talvez repetirem todos os três as excelentes temporadas de 2014; Ryan Newman como a grande "zebra". Era este o panorama.

Logo na primeira corrida, em Charlotte, Matt Kenseth toma a ponta e se mostrava muito forte para vencer a prova e avançar à fase seguinte. Mas Kenseth cometeu vários erros, chegou a bater e se perdu na prova e se complicau no Chase. Com isso, Logano e Harvick seguiam como os grandes favoritos, travaram um bom duelo no final da corrida e Logano se prevaleceu e garantia sua vaga na terceira fase do Chase. Dale Earnhardt Jr. também bateu, e ficou muitos pontos atrás, e assim como Kenseth, basicamente apenas uma vitória os interessava. Kyle Busch se envolveu em um estranho acidente com Kyle Larson na entrada de um pit-stop e também se complicou, mas não era nada comparado a situação de Kenseth e Dale Jr..

Kansas foi o palco da segunda corrida e da maior controvérsia do Chase até agora. Logano, já garantido na fase seguinte, crescia na corrida e chegou nas voltas finais em Kenseth, que liderara boa parte da corrida e seguia quase imbatível para cumprir seu objetivo e conquistar a vitória que lhe interessava, até perder um pouco de rendimento no final. Mas a cinco voltas do fim, Kenseth fecha Logano muito em cima da hora, os dois se tocam, Kenseth roda e perde a corrida, se complicando ainda mais. Logano acaba vencendo a segunda corrida e Kyle Busch se recupera um pouco, fazendo uma constante e boa corrida. Seguiu então o panorama para Talladega: Logano já classificado; Carl Edwards, Kurt Busch, Kevin Harvick, Denny Hamlin e Martin Truex Jr. em uma situação bem favorável; Jeff Gordon e Brad Keselowski relativamente tranquilos, mas não tinham espaço para erros; Kyle Busch e Ryan Newman dependiam de um bom resultado, mas nada desesperador; Matt Kenseth e Dale Earnhardt Jr. disputando apenas para vencer, já que nenhum outro resultado os garantiria na fase seguinte.

Chega então a temida, decisiva e eletrizante Talladega. Uma corrida que deu motivos para ser temida para quem disputa o Chase: apenas Logano, já classificado, Kurt Busch, Gordon e Keselowski não ficaram em situações de grande risco. Ryan Newman não conseguiu se manter constante e foi eliminado. Matt Kenseth, desesperadamente atrás de uma vitória, não se mostrou muito capaz de disputar efetivamente pela ponta. Acabou batendo no final também foi eliminado. Denny Hamlin foi a grande surpresa, já que seria eliminado apenas com um resultado catastrófico, quebrou o flap traseiro de seu carro e foi obrigado a parar várias vezes nos boxes para consertá-lo. Duas voltas atrás dos líderes, Hamlin ficou impossibilitado de tentar reagir de qualquer maneira, o que culminou em sua eliminação. Dale Earnhardt Jr., diferentemente de Kenseth, disputou efetivamente a ponta, chegou a ter problemas nos boxes, mas se recuperou e terminou em segundo, demonstrando muita vontade e fazendo uma prova excepcional, mas não foi o suficiente. Martin Truex Jr. chegou a ficar uma volta atrás após se distanciar do pelotão, vivendo um drama, encerrado assim que houve a primeira bandeira amarela e o piloto do 78 se recuperou espetacularmente. Kyle Busch e Kevin Harvick também viveram um drama no final, após perderem rendimento e, caso Dale Jr. vencesse a prova, essa seria a disputa pela última vaga. Carl Edwards terminou tranquilo e, analisando apenas a tabela do campeonato, não teve maiores dificuldades. Mas Carl chegou a andar na parte de trás do pelotão, vivendo também um drama, desapontando toda a Joe Gibbs, que em determinado momento poderia ter os quatro carros eliminados.

Apesar da eliminação precoce de Matt Kenseth, o campeonato vai seguir emocionante. Em sua última temporada, Jeff Gordon pareceu evoluir quando se tratou do Chase nessa temporada e Brad Keselowski também se mostra mais competitivo ultimamente. Joey Logano e Kevin Harvick vêm fazendo provas à parte, fora de série e Martin Truex Jr., Kurt Busch e Carl Edwards vêm sendo constantes e serão eles a "roubar" eventuais vagas de bons pilotos que cometerem um único erro que seja, e Kyle Busch, com já fez essa temporada, pode surgir e vencer uma sequência de provas e desbancar a todos que necessitarem de uma vitória. O que valerá será a disputa, a emoção nas próximas três provas para que fiquem conhecidos os quatro finalistas para Homestead. Sim, o Chase perdeu muito com as precoces eliminações de Johnson e Kenseth, mas os oito pilotos que ainda disputam a cobiçada taça não estão aonde estão sem motivos.

Logano vai sim entrar como favorito e deve sentir uma pressão maior que os demais. O panorama mudou novamente, a equipe Penske é agora a mais constante e impressionante, ao passo que o grande ímpeto da Joe Gibbs Racing, após a fantástica sequência de 9 vitórias em 11 corridas, diminuiu e as equipes da Chevrolet, com destaque para Hendrick Motorsports e Stewart-Haas, seguem em um jejum de vitórias surpreendente, com apenas uma nas últimas quinze etapas. Martin Truex Jr. também diminuiu seu ímpeto inicial, não tendo feito uma boa segunda metade da temporada antes do Chase, relaxando um pouco após sua classificação, mas é mais regular desde o início da fase decisiva, e Kevin Harvick, imbatível na fase antes do Chase, muito regular e constante, ficou de fora do seleto grupo dos 10 primeiros por apenas oito vezes na temporada, mas por quatro das seis corridas no Chase. Mesmo correndo bem, Harvick necessita de mais regularidade, já que teve de enfrentar eventuais incidentes como a batida em Chicago após o furo de pneu, a falta de combustível em New Hampshire, já que teve que fazer de tudo para vencer, ou como o problema no motor em Talladega, que poderia tê-lo deixado de fora dessa terceira fase do Chase. Mas quando foi pressionado e precisava da vitória a qualquer custo, Harvick se mostrou inteiro, e dominou as corridas de New Hampshire e Dover.

O que se pode esperar da NASCAR é: restam oito pilotos que farão de tudo para levar o troféu, que promoverão o espetáculo, que farão as próximas quatro provas pegarem fogo, que farão o possível para aposentar em alto estilo,

ou levar o primeiro cobiçado e merecido caneco,

 


ou tentarão voltar aos principais holofotes desde seu primeiro triunfo,


ou tentarão defender o posto de atual campeão que ainda lhe pertence.


Oito pilotos que farão o Chase!


Guilherme Jamil

sábado, 10 de outubro de 2015

NFL - Panorama AFC: Bom?

Uma temporada que promete. Novamente, a NFL não decepciona os fãs pela qualidade e pelo equilíbrio. O panorama então é ótimo, o que eleva as expectativas. Tratando-se da conferência americana (AFC), observa-se uma inferioridade em relação aos times da conferência nacional (NFC). Entretanto, há de ser considerado a evolução e ascensão de muitos times da AFC, que podem alterar um pouco as vagas nos playoffs em relação à temporada anterior.

A AFC East é uma divisão muito bem cotada para essa temporada. Porém, o Miami Dolphins não começou o campeonato como muitos esperavam. A evolução esperada do time até agora não deu resultados e seus jogos foram medíocres. Enquanto isso, New York Jets, renovado, e o Buffalo Bills, completamente invoado, com a chegada do novo treinador Rex Ryan, do running back LeSean McCoy e de um quarterback inexperiente como titular, Tyrod Taylor, o time se acertou e segue forte e bem encaminhado para os playoffs. O New England Patriots segue fascinante. Tom Brady tem como único obstáculo a estúpida imprensa, que fez especulações sobre seu casamento e o episódio do deflategate, pois dentro de campo estabelece seu ataque como um dos melhores da liga e, talvez, o favorito para chegar ao Super Bowl 50.

Na divisão seguinte, a AFC South segue parecida com a do ano passado. Tentando mudar a situação de incompetência dos últimos quatro anos, o Cincinnati Bengals começa a temporada muito bem equilibrado e constante, diferente das temporadas anteriores, quando o time foi bem na temporada regular e perdeu no primeiro jogo dos playoffs. Em segundo lugar vem o Pittsburgh Steelers com um ataque fulminante e uma defesa que deixa a desejar, parecido com o time da temporada passada. O time, porém tem um desafio a mais: enfrentar os próximos cinco jogos com seu quarterback reserva, Michael Vick, visto que o bi-campeão Ben Roethlisberger é desfalque devido a mais uma lesão no joelho. O Baltimore Ravens segue com os mesmos problemas da temporada passada: falta de recebedores e uma secundária incapaz e ineficiente. As contusões afetarão os Ravens também, o que abre caminho para os Bengals seguirem como favoritos. O Cleveland Browns é um time que viveu um momento de grande ascensão na última temporada, quando teve chance de ir aos playoffs mas a reta final da temporada foi trágica. Esta temporada, Johnny Manziel tem que convencer a todos muito mais do que tinha que fazê-lo anteriormente, mas não é o que vem acontecendo e o time não segue promissor.

Pode-se se considerar a divisão AFC South a pior da liga. O Tennessee Titans, segundo pior time da liga em 2014, conta agora com o novato quarterback Marcus Mariota, que vem impressionando e se mostra capaz de liderar o time rumo aos playoffs, ainda que com uma campanha não muito boa. O Jacksonville Jaguars vive um drama na escalação há muito tempo e o time não consegue terminar a temporada com uma campanha minimamente decente desde alguns anos. Nos quatro primeiros jogos o ataque é o segundo pior em pontos feitos e a defesa é a nona pior em pontos cedidos. Por mais um ano a situação não será muito boa na cidade do norte da Flórida e o panorama não muda, o que mais impressiona. O Houston Texans tem um ataque muito produtivo, mas que não converte a produção em pontos. O time ainda sofre com seu quarterback Brian Hoyer e o time é o sexto pior em pontos cedidos e o pior no diferencial de turnovers (bolas perdidas - bolas recuperadas). Portanto, um time que se mostrou vulnerável no último ano, tanto na defesa, de jogadores mais velhos e menos velozes, quanto no ataque, com recievers ruins, que chamam a atenção pelo número de passes não recebidos, drops, o Indianapolis Colts é cotado como favorito. Não seria uma surpresa se o vencedor dessa divisão se classificasse para os playoffs com uma campanha de 8-8 ou negativa, como também não se espera um avanço muito grande de nenhum desses quatro times na fase decisiva do campeonato.

A divisão AFC West é uma divisão que ascendia, prometia, quando começou a perder desempnho na reta final da temporada passada. Kansas City Chiefs conta com uma desastrosa defesa nessa temporada, cedendo uma média de 31,3 pontos por jogo e Alex Smith também não vem convencendo muito novamente (vale lembrar que os wide recievers dos Chiefs não anotaram sequer um touchdown aéreo na última temporada da NFL). Os Chargers também cedem muitos pontos por jogo: uma desastrosa marca de 27,2 pontos por jogo, mas contam com o quarterback Philip Rivers, que completou 70,7% dos passes e lidera a NFL em jardas aéreas (com 1248) para tentar disputar os playoffs. Chama a atenção o ataque aéreo dos Raiders, que evoluíram com Amari Cooper e Derek Carr, que é o décimo em jardas por jogo. Mas a defesa cedeu uma média de 403 jardas por jogo nas quatro primeiras semanas, o que inviabiliza a disputa por uma vaga na fase final. Segue, portanto, favorito o Denver Broncos, que possui um pass rush aniquilador. O time é completo, mas Peyton Manning já sente a pressão dos anos nas costas e pode comprometer um pouco a temporada do time de Denver.

O panorama pode ainda mudar um pouco, mas os favoritos têm como principal adversário os melhores da NFC. Afinal, a disputa final é o Super Bowl. Que venha ainda muita surpresa e emoção nessa conferência!

Guilherme Jamil

quinta-feira, 9 de julho de 2015

NASCAR - O pé da emoção sempre embaixo

A temporada vai se aproximando do final e a disputa para o Chase aumenta. Seis vagas restando e nove corridas para a fase final. Mas a NASCAR é pura surpresa e tudo pode mudar em uma única corrida. Exatamente isto que faz a categoria automobilística ser uma das que mais cresce em audiência mundial.

A temporada de 2015, como era de se esperar, está bem equilibrada e disputada. Jamie McMurray e Martin Truex Jr. (que finalmente conseuguiu uma vitória nesta temporada, após inúmeras convincentes provas) são os dois pilotos que mais evoluíram e são bons candidatos para o Chase. Ambos os irmãos Busch (Kurt e Kyle) fizeram corridas bem interessantes e se mostram em uma forma muito melhor que a de 2014. Jimmie Johnson e Dale Earnhardt Jr. também são pilotos que evoluíram bastante e se mostram muito competitivos e determinados para o Chase. Enquanto isso, Jeff Gordon e Brad Keselowski, que lideravam o campeonato nesta altura em 2014, enfrentam um campeonato bem equilibrado o que fez com que, até agora, o piloto do carro 24 não vencesse e Brad triunfasse apenas uma vez. Outro destaque é a equipe Joe Gibbs, que perdeu um pouco de rendimento, em relação à 2014, uma vez que passou a competir com quatro carros e nitidamente passa ainda por uma fase de adaptação. Contudo, essa é a única equipe cujos todos os 4 pilotos já venceram nesta temporada, sendo que três deles estão classificados para o Chase, visto que Kyle Busch, ao perder as 11 primeiras etapas do campeonato, perdeu, consequentemente, muitos pontos em relação aos adversários e, para se garantir no Chase, precisa terminar a primeira fase do campeonato entre os 30 primeiros, mas, para isso, precisa descontar uma diferença de 128 pontos em 9 corridas. Kyle depende de suas atuações nessas próximas corridas, mas já provou que é capaz. Ainda impressiona a assustadora queda de desempenho da equipe Roush Fenway e de Tony Stewart nos últimos anos, que continuam a ser as decepções da temporada. Infelizmente, a cada corrida que se disputa, torna-se mais improvável a aparição de algum dos três carros da Roush ou de Tony no Chase. A equipe Richard Childress foi bem discreta ao longo da fase inicial do campeonato, não conseguindo nenhuma vitória com nenhum dos três carros. Contudo possui dois pilotos, Ryan Newman (que foi o vice-campeão de 2014 sem nenhuma vitória) e Paul Menard, sempre constantes entre os 16 pilotos que se classificam para a fase final do campeonato. Outro destaque da temporada é a chuva! Impossível é correr em um circuito oval úmido, já que isto certamente provocaria acidentes, uma vez que há a perda quase total da aderência causada pela perda de atrito dos carros com o asfalto. A chuva entrou em cena pela quinta vez este ano na corrida de Daytona, e foi a responsável por interromper a corrida de Michigan até agora.

Os vencedores das cinco corridas:

Jimmie Johnson em Dover

Martin Truex Jr. em Pocono









Kurt Busch em Michigan
Kyle Busch em Sonoma






Dale Earnhardt em Daytona
Contudo, Kevin Harvick, Jimmie Johnson, Dale Earnhardt Jr., Martin Truex Jr. e Joey Logano ainda são as maiores especulações para o Chase deste ano. Pode-se esperar um campeonato bem interessante de ambos irmãos Busch e de Jamie McMurray. São estes os oito pilotos que mais a atenção chamaram ao longo das 17 primeiras etapas, e que podem ser julgados os favoritos para o Chase. Contudo, Matt Kenseth, Denny Hamlin, Carl Edwards, Jeff Gordon, Kasey Kahne e Brad Keselowski esquetarão a disputa, indubitavelmente.

Impressionam as atuações dos pilotos que hoje estariam classificados para o Chase. Todos se mostraram constantes e devem fazer desse campeonato especial. Seria interessante se Kyle Busch conseguisse essa classificação para o Chase e Gordon impressionasse em sua última temporada. Porém, torceremos sempre pela emoção, que é sinônimo da NASCAR.

Guilherme Jamil